Educação Empreendedora na Zona Norte de São Paulo

Em 2017, a Rede Asta e o Instituto Center Norte começaram uma parceria para transformar realidades na Zona Norte de São Paulo. A região virou um polo da Escola de Negócio das Artesãs da Rede Asta para formar em empreendedoras as profissionais do feito à mão que moram ou atuam por lá.

O projeto faz parte do programa Zona Norte Empreendedora do InstitutoCenter Norte que é uma organização sem fins lucrativos criada pela Cidade Center Norte para ajudara melhorar a qualidade de vida e a renda dos moradores da Zona Norte paulistana.

Até o momento, foram duas turmas. A primeira começou em 2017 e concluiu em 2019 e a segunda começou em 2019 e concluirá no final de 2020. Somando as duas turmas 115 pessoas já passaram por esse núcleo de educação empreendedora.

Artesãs da Primeira Turma da Parceria Rede Asta e ICN na Zona Norte de São Paulo
Artesãs da SegundaTurma da Parceria Rede Asta e ICN na Zona Norte de São Paulo
Acreditamosna força das redes produtivas cujo objetivo é transformar desafios em realidade, capacitando ainda mais os profissionais da Zona Norte. Tivemos uma agradável experiência quando iniciamos a parceria e queremos seguir contribuindo diretamente para o desenvolvimento pessoal e profissional,fortalecendo sua capacidade de gerar renda própria por meio do empreendedorismo”, disse Daniela Pavan, head de Sustentabilidade do Instituto Center Norte, no começo da segunda turma.

[Escola de Negócio das Artesãs: o que é, quem pode participar e como se inscrever? Saiba mais aqui]

 

As aulas de formação empreendedora

Em ambos os anos, a Rede Asta recrutou através de inscrição online com ampla divulgação pelas duas organizações, selecionou e comunicou as artesãs que fariam parte da turma. A partir daí, a etapa de educação empreendedora começava. Através da Plataforma Asta elas viam previamente as videoaulas da Escola de Negócio das Artesãs e presencialmente expandiam o conhecimento com discussões, exercícios e aplicações reais sobre seus negócios.

Artesãs fazendo a parte prática das aulas da Escola de Negócios das Artesãs da Rede Asta
Aula da Escola de Negócio das Artesãs

Essas mentorias presenciais são mediadas por mulheres empreendedoras que foram treinadas pela head de educação da Escola de Negócios da Artesãs, Angélica Oliveira. Desse modo a Rede Asta consegue assegurar a qualidade e padrão das aulas. Na primeira turma a mentoria foi de Camila Pinheiro, fundadora do MAOS – Movimento de Artesãs e Ofícios onde atua com facilitação de coconstrução com artesãos do Brasil todo. E, na segunda turma, essa etapa ficou com a Verônica Machado, fundadora da ONG Mensageiros da Esperança na Lapa de Baixo em São Paulo, que têm uma vasta experiência emformar mulheres e jovens em projetos de empreendedorismo.

[O que é a Plataforma Asta e quais problemas ela pretende solucionar? Clique e fique por dentro]

“Assistir as aulas da Escola me ajudou muito a planejar melhor o Mariás. Agora me sinto mais segura para me dedicar 100% a esse projeto” Kátia Giani, artesã de costura criativa, aluna daturma 1, moradora do Jardim Japão e membro da Rede CriaNorte.

 

Coleções de produto: um olhar de design sobre o artesanato

Desenvolver coleções de alta qualidade, com design arrojado, dentro de tendências de moda e decoração nem sempre é uma tarefa fácil para as artesãs. Desde o começo da Rede Asta atuamos com projetos focados em desenvolvimento de produtos coconstruídos entre designers e negócios artesanais.

No projeto de 2017-2019 houve acriação de uma rede de artesãs com estatuto, regras de diretos e deveres que unificou toda a criação produzida durante o projeto em uma mesma identidade visual. Gabriela Mazepa do projeto Re_roupa foi o olhar de design no processo de coconstruir uma Coleção coesa para a Rede CriaNorte.

Quatro artesãs e costureiras da Rede CriaNorte do projeto da Rede Asta em parceria com o Instituto Cener Norte produzindo produtos com alegria
Rede CriaNorte na etapa de desenvolvimento de Coleção com a Gabi Mazepa do Re-roupa

No final os produtos foram divididos em três linhas: Casa, Acessórios e Infantil. As peças foram produzidas com as técnicas de cada artesã do projeto e cada um fazia a parte que cabia a si. Por exemplo, a costureira fazia a estrutura da nécessaire que era bordada porque quem era bordadeira. Desse modo, os produtos não eram de uma artesã, mas de toda a rede.

[Conheçao Catálogo da Rede CriaNorte]

Já o projeto em andamento foi pensado em um modelo express, onde a Camila Pinheiro, mentora da primeira turma, retornou como consultora de design. Nesse formato a ideia não era criar uma Coleção única entre as 70 artesãs da turma, mas dar dicas e orientações para que cada artesã tivesse condições de pensar a sua própria coleção de acordo com o público-alvo do seu negócio

Consultoria de design para artesãs da Rede Asta
Camila Pinheiro e as artesãs fazendo consultoria para melhoria de produtos

Dessa vez, apesar de não ter a parceria entre as artesãs para a produçãodas peças, elas tiveram a oportunidade de receber uma análise mais qualitativa dos produtos que elas já faziam. Por exemplo, aprender novos materiais e jeitos de fazer o acabamento das suas peças. Esse tipo de orientação é importante para que após o projeto elas sigam sempre na mesma linha de qualidade ao criar novos itens para os seus empreendimentos.

A Rede Asta envia um formulário para que as artesãs avaliem anonimamente as aulas. Esses foram alguns dos depoimentos das artesãs da turma 2 sobre essa etapa:

“Muitas novidades, a monitora expressa muito conteúdo e diversidadespara nos inspirar.”
“[Gostei] das ideias e inspirações de outros projetos!’
“[Gostei] do conceito de olhar de formas diferentes para as coisas dodia a dia.”
“[Gostei de receber] dicas de composição de cores.”
“[Gostei de] saber sobre a paleta de cores”
“[Tive] várias ideias incríveis para trabalhar/elaborar novidades.”
“[Gostei de conhecer] a experiência dos artesãos de outras regiões”

 

A hora de colocar emprática a educação empreendedora: Quiosque Solidário no Center Norte

Nas duas turmas houve um TCC –Trabalho de Conclusão de Curso. Não pense que foi uma monografia ou um artigo científico. Em um curso de empreendedorismo para artesãs, um bom fechamento é ter a oportunidade de operar um canal de varejo. É por isso que o Instituto Center Norte providenciou junto ao Center Norte um Quiosque Solidário. As artesãs depois de meses de estudo e melhorias de produtos tiveram a oportunidade de vender no shopping que apresenta o maior volumede vendas por m2 entre todos os empreendimentos da cidade de São Paulo.

Rede CriaNorte no Quiosque Solidário em 2018

Cuidar de uma loja não é só produzir e receber as vendas. O estoque precisa ter os produtos, é necessário construir e cumprir escala para atendimento e caixa, não pode faltar embalagemdos produtos, precisa enviar balanço financeiro diariamente para a contabilidade, é auditado pelo shopping e tudo mais que envolve um empreendimento do tipo. A oportunidade é de adquirir na prática um conhecimento muito mais amplo  dessa forma de empreender.

A turma inicial foi aprovada com louvor nessa fase e a segunda não começou imediatamente após acabar as etapas anteriores porque uma pandemia nos alcançou e tardou o sonho. Mas, durante o isolamento social, elas se mantiveram produzindo e com esperanças de logo começar essa etapa tão esperada.

O shopping irá reabrir em 15/06, seguindo todos os protocolos de segurança obrigatórios e mais algumas outras medidas de boas práticas que outros países adotaram. Perguntamos as artesãs se elas gostariam de entrar ou de aguardar até o próximo ano para dar esse passo. Elas escolheram, em esquema de escala voluntária, começar logo. Anteriormente todas estariam no Quiosque, mas como tudo mudou, apenas puderam se voluntariar aquelas que não estão em grupo de risco.

O horário de funcionamento será reduzido de 16h às 20h. Só terão duas artesãs por turno, uma atendimento e uma no caixa. Todas moram perto e o tempo de deslocamento até o local será pequeno e fora do horário de pico.

O CenterNorte deu uma formação sobre as medidas de segurança que as artesãs deverão seguir e se comprometeu em intensificar a limpeza do shopping, a disponibilizar álcool em gel, a monitorar a obrigatoriedade do uso de máscara por todos os presentes no local (visitantes e trabalhadores) e a controlar o acesso ao shopping.

 

Expectativas depois da conclusão

Em paralelo as etapas anteriores, as mentoras da Escolade Negócio das Artesãs da Zona Norte de São Paulo, Camila e Verônica, trabalharam mapeando possíveis aberturas de mercado para essas mulheres empreendedoras.

São oportunidades de expor em lojas que fazem aluguel de prateleiras, feiras que acontecem na cidade, sejam fixas ou esporádicas, locais onde elas poderiam ensinar suas técnicas e muito mais.

A CriaNorte evoluiu super bem depois do Quiosque de 2019. Esteve em muitos lugares indicados pela Camila, mas foram além, tomaram a liderança dos seus negócios e articularam novas parcerias por conta própria e é exatamente esse o objetivo do projeto. Nem a Rede Asta e nem o Instituto Center Norte desejam ser bengala para que essas mulheres artesãs se mantenham de pé. Nosso desejo é ser apenas um degrau para elas sejam exemplos de empreendedorismo feminino mais para frente.

Luciene, artesã da CriaNorte negociando com Betty Prado, sócia fundadora da Bemglô com a Glória Pires, a inclusão dos produtos da Rede na loja colaborativa da marca

Sobre a turma mais recente a gente ainda não pode dizer como será, mas temos confiança que todas são potentes e capazes de alcançar os sonhos e as metas que projetaram ao longo do curso, ainda que tenha havido um desvio obrigatório e inesperado no caminho por causada pandemia.

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